quarta-feira, 30 de junho de 2010

Interpol - Lights

O Futebol e a Nação

O que é que o desaire de ontem da Selecção e respectivas reacções têm a ver com o resto do país? Tudo!

Carlos Queiroz foi defrontar a Espanha com medo. Jogando atrás, explorando o contra-ataque, dando a iniciativa ao adversário. O país faz o mesmo: joga sempre atrás, não toma a iniciativa e explora alguns pontos para tentar ser melhor que o adversário usando uns golpinhos aqui e ali.

Cristiano Ronaldo no fim disse para falarem com o Queiroz. 30 minutos depois, lançava um comunicado a dizer que tinha sido incompreendido. O país é assim. A culpa nunca é de ninguém e responsabiliza-se sempre alguém. Para depois se vir com a desculpa de que não era bem assim.

O resto da equipa diz que somos uma equipa e saímos fortalecidos, mas os egos individuais continuam sempre a mandar. Portugal também é assim. Somos pequeninos para os egos que existem por cá. Dizemos sempre que funcionamos em equipa, mas o ego não deixa, porque queremos que seja o individual a ganhar.

Hoje, já se tentam procurar os responsáveis pela campanha no Mundial e as teorias começam a aparecer. E é nisto que o país é pródigo. Consegue inventar boatos e mexericos como ninguém. Somos ases nessa matéria. E continuamos a criá-los, querendo meter o nariz na porta da vizinha ou ver o que se faz no prédio ao lado.

E com isto, Portugal foi eliminado e o estado de transe por que passou neste último mês e meio acabou. Voltamos à realidade dura e crua dos chips, da crise, da PT e da Vivo, do desemprego e do que falta.

Pode ser que as férias e o Benfica resolvam aparecer e deixar o país mais um bocadinho em transe. Aí até ao Natal...

sábado, 26 de junho de 2010

Para disfrutar

Mau era o de Berlim


Israel / Palestina




EUA / México

O que dá uma boa reportagem

Gosto muito do i à sexta-feira, especialmente porque traz o caderno do iReportagem, com exclusivos do New York Times. Jeffrey Gettleman é o homem de serviço que nos traz novidades de África e as escreve no site do jornal, sem censura ou retoques de escrita. Esta semana, o título é "As crianças que carregam armas para o governo apoiado pelos Estados Unidos", que foi escrito em 13 de Junho, mas que com a devida tradução, só foi possível lê-lo ontem. A versão original está disponível, mas eu gostava muito de reter alguns parágrafos.

"(...) Awil destaca-se de duas formas notáveis: está a transportar ao ombro uma metralhadora Kalashnikov totalmente automática e totalmente carregada; e está a trabalhar para um Exército que é substancialmente armado e financiado pelos Estados Unidos."

"Mas Awil não é um rebelde. Ele está a trabalhar para o Governo Federal Transitório da Somália, uma peça fulcral da estratégia antiterrorista norte-americana no Corno de África."

"Segundo a UNICEF, apenas dois países não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança, que proíbe o recrutamento de soldados menores de 15 anos: os Estados Unidos e a Somália."

"Conselheiros norte-americanos têm vindo a ajudar a supervisionar, no Uganda, o treino dos soldados do Exército governamental da Somália."

" "Já perdi a esperança", disse o xeque Yusuf Mohamed Siad, o ministro da Defesa, que, na semana passada, se demitiu subitamente, tal como vários outros ministros. " Todo este treino internacional é apenas treino de soldados para a Shabab". acrescentou, referindo que as demissões aumentaram. "Pergunte ao presidente o que foi que ele conseguiu alcançar no ano passado", desafia Mohamed Siad, rindo. "Nada. Absolutamente nada!" "

Todo o folclore mediático que nos vai rodeando interessa-se por todo o tipo de notícias, menos esta. Esta é para uma Grande Reportagem, mas num dia onde não haja mais nada do que fazer, porque as redes sociais e as pessoas sozinhas em casa é que interessam. Todos os outros interesses ficam de fora. Não dão números...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um mundo à parte

O nosso Primeiro-Ministro foi à Assembleia da República para o habitual debate com a oposição sobre o estado do país. E para variar, o nosso Primeiro-Ministro deve viver noutro país que não seja o nosso. Só pode. E em cada debate, o Governo apresenta sempre uma proposta que na prática depois não se vai resolver. São apoios daqui, são apoios dali, que depois na prática não passam de palavras vãs de esperança para quem a vai perder depois...

E no meio da discussão, Paulo Portas teve tempo para criticar uma lei que foi aprovada no seu tempo sobre criminalidade, Miguel Macedo falou sobre o QREN, Louçã falou sobre Amado e o PCP e o PEV foram os únicos a tocar no assunto SCUT.

E é a falar de SCUT que o nosso Primeiro-Ministro tem a seguinte frase: "A SCUT tem características geométricas diferentes das AE's". Características geométricas? Quais? O nosso primeiro-ministro diz que as características geométricas têm a ver com mais saídas nas SCUT do que nas AE. Para quem teve um brilhante Inglês Técnico e é um extraordinário engenheiro, a resposta foi a esperada.

De tudo vale para enganar, para falsificar, para tornear. Nem com a Comissão Nacional de Protecção de Dados a cismar sobre a legalidade dos chips e da informação neles inserida. Nem com o facto de nos impôr a obrigatoridade de termos de comprar produtos a empresas privadas.

Realmente, José Sócrates está num país à parte...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Zelig

Influenciado por esta crónica do António Pires no i, decidi ir à procura dos Zelig, uma banda do Porto, onde um dos elementos dá pelo nome de Peixe, ex-guitarrista dos Ornatos Violeta.
Fiquei curioso com esta frase: "O álbum “Joyce Alive”, dos Zelig (projecto de Peixe, ex-Ornatos Violeta, acompanhado por músicos do mesmo universo oriundos dos Pluto e Foge Foge Bandido), onde se podem ouvir bandas-sonoras imaginárias que tanto podem estar próximas de John Zorn como de Frank Zappa ou de Martin Denny em ácidos. E “Rondas”, de Samuel Jerónimo, que aqui prova mais uma vez – e com imenso talento – que o rock progressivo não é coisa do passado."

De pesquisa em pesquisa, ainda não consegui encontrar o álbum, mas fica aqui um vídeo, que também está no My Space da banda. Enjoy it!


pang pong

ZELIG's first album OUT NOW! | MySpace Music Videos

O dia-a-dia

PSD e Governo PS são cada vez mais amigos, e ao mesmo tempo, mostram bem porque é que deixaram o país chegar onde chegou. O último exemplo são as SCUT.
Quem as utiliza regularmente, sabe que aquelas vias de comunicação são vitais para as áreas onde estão. A intenção das mesmas seria a de criar investimento, aumentar a competitividade e criação de empresas em zonas ou regiões que estão a ser desfavorecidas, não se sabe bem a interessar a quem.
Costumo dar sempre o exemplo da A23, que desenvolveu em parte a zona de Castelo Branco e das Beiras, mas também poderia dar o exemplo de que as outras (A28 e A29) não tiveram o devido alcance que deveriam ter tido.

O problema de todos pagarem e continuarem a aumentar o espólio da Brisa é de uma vontade atroz de prejudicar quem mora ou beneficia das SCUT.

Interessante também o papel do PSD, que num dia esgravata tudo o que há para esgravatar do pouco que há do Governo PS, para no dia seguinte se sentar à mesma mesa, sempre a bem do interesse nacional. Interesse dos mesmos de sempre.

A palhaçada continua e nós continuamos a assobiar para o lado, como se nada fosse. O sol agora sim, está aí e Portugal deu 7 à Coreia do Norte e vai ser Campeão do Mundo outra vez...

domingo, 20 de junho de 2010

Mundial..Funeral...Funeral...Mundial

E assim foi o nosso fim-de-semana tipicamente português, alternado entre a tragédia e o futebol, quando vemos que a nossa televisão se preocupa com os números, esses sinais dignos de quem nos tenta educar.

Porque a TV também deveria servir para isso: ensinar. Mas não faz mais do que estupidifcar e abrutalhar a nossa sociedade num caldo difícil de lhe tomar o sabor.

As alternativas estão no cabo, mas nem todos têm acesso ao que se vai passando por Meo's e Zon's, porque continua a pagar a taxa do audiovisual para permitir à RTP amealhar prejuízos atrás de prejuízos.

Comecemos pelo funeral e pelo rol de personagens, figuras e figurinhas que passaram pelos Paços do Concelho para homenagearem o único Nobel literário que tínhamos. Continuamos a tê-lo, agora sob a forma de livro e ainda sem se saber por onde andarão as cinzas (agora sim, o verdadeiro tema nacional).

Até quiseram ver como é que a pequena Azinhaga do Ribatejo, ali a 7 kms da Golegã, se sentia. E vimos como se sentia: com um copinho a mais, a ver a bola no café e preocupado com as cinzas. Mas não era muito importante. O mais importante era mesmo o vinho.

E o Mundial? Essa competição que nos remete para a nossa mais pequena existência e que queremos conquistar. Sim, porque somos os "Navegantes" na busca de algo novo, nem que seja uma derrota frente à Coreia do Norte, que é uma coisa que ainda não temos. Temos um Seleccionador que vive mais para a Comunicação Social do que para o terreno de jogo. Temos um jogador que é considerado o melhor do Mundo e não marca um golo há 16 meses. Temos casos clínicos. E temos emigrantes, que contestam o facto dos jogadores não lhes acenarem, mas que no dia seguinte, estão a puxar a plenos pulmões pelo país. Porque somos assim! Gostamos de sofrer e de ver sofrer, e isso dá audiências, que é o mesmo que números. Esses mesmos que são sinais dignos de nos quererem educar...

sábado, 19 de junho de 2010

Mais uma voz que se cala

E parafraseando o mesmo, referindo ao nosso Presidente da República, intitulando-o o génio da banalidade, hoje de tudo e de todos se ouviu o pesar, as condolências, a perda de um símbolo de um país. Todos, não. O Sousa Lara continua com a mesma ideia e o Grupo Parlamentar do PSD também resolveu brincar, conforme atesta o blog do 31 da Sarrafada.

E é interessante ver que, apesar das brincadeiras, todos, da direita à esquerda, se mostraram sentidos com a morte do escritor. Eu vou ser muito claro. Saramago não me interessava. Não lia os livros dele, não partilhava muitas das suas ideias, mas era um Prémio Nobel, da área da cultura, e isso ainda me deixa com alguma simpatia pela pessoa.

Agora, nós estamos num país pequenino, e como pequeninos que somos, esquecemo-nos que fomos outrora grandes, e ficamos satisfeitos com pouco. Hoje será um rol de directos e jornalistas e aviões e cerimónias de Estado para "homenagear" um escritor, como ele gostava de ser chamado. Não irá ser respeitada a natural dor de quem estava mais próximo dele, porque o aberrante protocolo de Estado assim o exige. E enquanto não tivermos mais nenhum caso na Selecção em terra de tormenta, Saramago ditará as leis.

E irão os anónimos chorar para a Câmara Municipal de Lisboa, e irão aqueles, que no mais privado dos seus recantos, vocifaram contra ele, e irão todos atrás da matilha, como se ainda houvesse algo mais para dizer no momento macabro de um velório.

Para mim, é mais uma voz que se cala nesta sociedade que ele próprio decidiu abandonar, porque aqueles que hoje o homenagearam, não tiveram a decência de o reconhecer antes de uns suecos. E assim, cumpre-se sempre o nosso triste fado: só conseguimos ser reconhecidos quando morremos, porque não queremos fazer parte dessa espécie que corrói e brutaliza a sociedade.