quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uns valentões

- José Sócrates chegou a Bruxelas para o Conselho Europeu e disse logo que ele é que sabia. Ele e os amigos que nos colocaram nesta posição frágil em que somos falados por todo o Mundo. Disse logo que "Nós não precisamos de nenhuma ajuda. Nós sabemos exactamente o que temos de fazer", fazendo assim crer que somos fortes o suficiente para nos tirar da crise. Desde que não use o mais fácil dos discursos, aumentando os impostos, Sócrates está com uma grande moral...

- Carlos Queiroz também não tem problemas nenhuns. Afinal, a Espanha acabou por perder e com sorte ainda apanhamos um Chile ou uma Suíça, se ganharmos os nossos jogos. É impressionante a capacidade que o Seleccionador Nacional tem de arranjar desculpas (o vento, a chuva, o relvado, a protecção do Drogba, o problema léxico do Deco, etc, etc) e mais impressionante ainda o facto dos séquitos que o acompanham não terem um pingo de vergonha para denunciar o que de mal tem sido feito. O único que o fez, levou uns sopapos no Aeroporto...

- Entretanto, o PS quer que a Comissão da PT/TVI fale a verdade. E o que é falar a verdade? José Sócrates não sabia de nada. Ele que é primeiro-ministro de Portugal e que detém uma golden share na empresa. E quem foi mandatado para dizer isso? Ricardo Rodrigues, o tal deputado para quem roubar uns gravadores é um acto único e honesto...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Novo Layout

Usando o Blogger Template Design. Creio que ficou mais engraçado. Mas isso sou eu, que sou esquisito...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Gabriel Alves que existe dentro de mim

Comecei com 12 anos a tomar maior atenção aos Mundias de Futebol. E com isso, apanhei o Itália 90, que nos apresentou um Toto Schilacci que mais ninguém ouviu falar, um Baggio a despontar (o Roberto) e um Maradona que estava proibido de voltar a ganhar, apesar de continuar a ser o maior. Estava no Alentejo de férias, em casa dos meus avós, como na maioria dos Mundiais até ao início da década primeira do século XXI. E nesse Mundial, a Alemanha era a equipa que mais gostava. Talvez porque tivesse muitos louros, e como era muito louro na altura, revia-me nos Brehmes, Klinsmaans e afins. E tinha tomado parte do vencedor, numa final explicada anos depois, bem ao jeito da FIFA, em que tudo foi feito para que Maradona não tivesse de sair de Itália uma vez mais vencedor.

Em 1994, Alentejo outra vez, mas os horários bem mais marados para podermos ver o que queríamos. A realidade era outra, o conhecimento também e por isso, quando comecei a ver os jogos a escolha era óbvia. Uma frente de ataque com Maradona, Caniggia e Batistuta era mais do que suficiente para levantar a Taça. Mas como o astro argentino estava a incomodar (ainda por cima com uma mancha dourada na cabeça), lá o sonho foi desfeito outra vez. O Brasil ganhou, porque tinha a melhor equipa e o melhor jogador na altura, em competição: Romário. A Nigéria, a Bulgária e o Michel Preud'Homme também me encheram as medidas nesse ano de 1994.

Em 1998, França era claramente a favorita a ganhar. Jogava em casa e tinha Zidane. Foi o suficiente para o que se viu.

E quer em 98 como em 2002, se viu que a FIFA mostrava à descarada o que era o negócio do futebol. Tinha de haver determinadas equipas contentes, assim como os próprios países que organizavam, para que a loucura do Mundial não se perdesse.

Há quatro anos, tive a possibilidade de ir à Alemanha trabalhar no Mundial e ver jogos da competição. A loucura com a Selecção de Portugal, um espírito alemão completamente diferente do que nos é passado e a organização do país fez com que o Mundial de 2006 fosse uma verdadeira festa.

Este ano, confesso que (e estando por cá), a loucura pelo Mundial é demasiado exagerada e parece que não temos remédio do que sermos campeões do Mundo. Esquecemo-nos por vezes, que estão lá 32 equipas que querem o mesmo e por isso, a ideia que se passa para o exterior é a mais errada que se pode ter. Vou tentar acompanhar o Mundial com o gosto que tenho do futebol, mas preferirei olhá-lo como o futebol deve ser visto: como um jogo. E nesse jogo jogado, Portugal não terá grandes hipóteses.

Os estádios bonitos, modernos e arejados que pululam na África do Sul coroarão outro país.

Eles estão de volta



Para além da actuação, também estão disponíveis aqui: Soundgarden World

Tão longe e tão perto

Esta semana fui brindado por um dos leitores deste blog com um livro intitulado "Contestasam" de 1974, que reúne vários cartoons de Sam publicados no decurso de 1973 e princípios de 1974 no "Expresso", "Seara Nova" e "Jornal do Fundão". Também contém muitos desenhos, que a malvada censura não deixou publicar e que estão devidamente assinalados com um asterisco. Muitos mesmo.

O livro foi encontrado num alfarrabista em Coimbra e é uma prenda que me deixa obviamente contente pelo cariz e pelo significado da mesma. Sam editou o livro em Maio de 1974 com uma frase inquietante: "1974 vai ser melhor. Muito melhor. Um ano de invenção."

Serve a introdução para tentar ilustrar um dos cartoons intitulado "Prestígio", que na altura não tinha sido alvo da censura e que consistia em dois homens bem vestidos, em que um dizia para o outro:" Sou administrador de três companhias e pertenço ao conselho fiscal de quatro. Mas o que me dá prestígio é não fazer nada!!"

Em 1973, já se pensava assim num país à beira de uma mudança. Quase 40 anos depois, o que mudou?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A definição dos critérios

15h00 - Agendamento Potestativo do PCP na Assembleia da República:

"No uso do direito de agendamento potestativo, o Grupo Parlamentar do PCP fixa a ordem do dia desta Sessão Plenária com os seguintes diplomas:
Projecto de Lei n.º 301/XI/1.ª (PCP) - Cria um novo imposto sobre operações realizadas no mercado de valores mobiliários e sobre certas transferências financeiras para o exterior;
Projecto de Lei n.º 302/XI/1.ª (PCP) - Determina a aplicação extraordinária de uma taxa efectiva de IRS de 25% ao sector bancário, financeiro e grandes grupos económicos. Elimina os benefícios fiscais concedidos ao sector bancário e financeiro com actividade na Zona Franca da Madeira;
Projecto de Lei n.º 303/XI/1.ª (PCP) - Altera os Códigos do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), o Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o Código do Imposto sobre Veículos (ISV) e o Código do Imposto Único de Circulação (IUC), visando tributar de forma extraordinária o património, introduzir maior justiça fiscal e permitir maior equidade na distribuição de rendimentos;
Projecto de Lei n.º 304/XI/1.ª (PCP) - Revoga os benefícios fiscais concedidos a PPRs – Planos de Poupança Reforma – e ao regime público de capitalização. Procede a alterações ao Estatuto dos Benefícios Fiscais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 215/89, de 1 de Julho, e republicado pelo Decreto-Lei n.º 108/2008, de 26 de Junho (Quinta alteração ao Decreto-Lei n.º 108/2008, de 26 de Junho).
"

Começo a fazer a pesquisa nos canais de TV e só por volta das 15h10, 15h15 Honório Novo começa a falar. Canal óbvio: SIC Notícias. Ouve-se cerca de 5 minutos e é o "suficiente" (palavras ditas pela repórter) para sabermos quais as propostas do PCP. Acaba o jornal das 15 com a promessa de se voltar à AR nos seguintes noticiários da hora. Passamos para a RTP N e Honório Novo continua a falar. Quando acaba o discurso, o canal utiliza o mesmo discurso da SIC Notícias e remete-nos para os noticiários de hora a hora.

Os critérios utilizados podem ser argumentados de qualquer forma, desde que estruturada. A SIC Notícias optou por dar o Golf Report e a RTP N as "Notícias do Atlântico", usando as redacções dos Açores e da Madeira para as notícias.

Tento vasculhar o site da AR. Emissões em Directo. Não consigo ligação para ouvir o debate na generalidade.

Tenho de me render às evidências. O PCP é o 5º partido e as propostas mexem com muita gente com muito poder em Portugal e por isso, o 4º Poder opta por dar preferência ao 1º. É o que temos e é o que nos espera. A nós todos. Pagarmos os erros dos outros. Sempre os mesmos. Os de sempre...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sem acordo

Ontem houve uma manifestação no Palácio da Ajuda contra o novo Acordo Ortográfico. Certamente, não houve muita informação porque só estiveram três pessoas e o repórter da Lusa para recolher as informações e depois as TV's, jornais e rádios divulgarem consoante lhes apetece melhor.

Parece que o novo Acordo Ortográfico nos vai tornar mais "Brasileiros" do que "Portugueses", mas também que diferença é que faz?

Já só gostamos do Sol, não gostamos de fazer nenhum e já existem muitos descendentes de brasileiros e brasileiras em Portugal o suficiente para não se notar a diferença.

Daí que brevemente, o fato é não sabermos se se refere ao de vestir ou ao acontecimento, e uma simples rutura no cano da água não terá o mesmo efeito que tinha há uns tempos atrás.

Eu vou continuar por enquanto a escrever como aprendi (também não consegui passar directamente do 8º para o 10º Ano), portanto o meu acordo pelo Acordo Ortográfico ainda está em negociações...

O Rapidshare é um espectáculo



Tame Impala - Solitude is Bliss



Blitzen Trapper - Furr



Wild Nothing - Summer Holiday

domingo, 6 de junho de 2010

Non..ou a Vã Glória de Mandar

Pedro Passos Coelho anda em campanha. E como anda em campanha, prefere fazer campanha entre os seus, com propostas para os seus, para ninguém ficar melindrado nesse partido da união que é o PSD.
Hoje veio justificar a flexibilidade dos empregos e dos trabalhos. E depois diz que o problema não é das pessoas. Claro! Basta olhar para a sua vida profissional para ver que a flexibilidade existe. Enquanto Ângelo Correia andar a tapar os buracos nas suas empresas, onde tem Passos Coelho como administrador numa data delas, o problema fica resolvido.
Aliás, os políticos lidam bem com a flexibilidade. Num dia são ministros ou deputados, e no outro já são administradores públicos ou público-privados ou então mantém-se no sistema com o seu conjunto de ligações mais do que tudo muito confusas.
Passos Coelho não tem problemas com a flexibilidade, mas com a forma de chegar perto dos militantes e assim, consegue ainda manter alguma réstia nesta legislatura perdida.

Paulo Portas continua na sua senda populista. Decidiu que os deliquentes são os que usam o Rendimento Mínimo Garantido e não pode ser. Nem os deliquentes, e já agora, também podem ser os ciganos e os pretos, que é tudo a mesma coisa.
O verdadeiro deliquente é mesmo ele, Paulo Portas. Porque consegue colocar tudo no mesmo saco, incitando ao populismo tão grave como intelectualmente desonesto, incorrendo em estéreotipos que permitem a reacção da população a adoptar as mesmas regras.
Paulo Portas não sabe e pega nas notícias dos jornais para fazer política. Bem sabemos que é jornalista, mas não é preciso ajudar assim tanto os amigos que o vão amparando nos mais diversos favores.

Cavaco Silva disse hoje que é preciso aumentar a produção nacional. O sr. Silva esquece-se rapidamente dos dez anos em que esteve no poder e que contribuiu para o descréscimo e desmantelamento da produção nacional. Exemplos não faltam e podem ser facilmente pesquisados. Mas a febre da pré-campanha e o medo de haver outro candidato presidencial faz o sr. SIlva tomar certo tipo de declarações que até parece um candidato a sério. A rábula das férias (como se fosse um promotor do Turismo de Portugal) ou a fome das crianças (como se fosse o Dalai Lama) são exemplos claros de que a senilidade está bem mais perto do que esperávamos...

A Escola do sr. Sócrates

Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Estávamos em 2001, e eu estava a trabalhar num documentário para o Canal Odisseia sobre o Alqueva chamado "Contrastes", que consistia em apresentar as duas facetas do que é que a Barragem iria alterar fisica e socialmente na região.
Havia espaço para todos. Para os que eram a favor e para os que eram contra. E no périplo pela região tive de ir várias vezes à antiga Aldeia da Luz.
Nessa altura, a escola primária existente era uma das que têm aparecido esta semana nas fotografias como sendo as escolas da altura do Salazar. E também havia professores, mais concretamente dois. Que tinham de leccionar para os diferentes quatro anos de escolariedade.
Na altura, no processo de mudança para a nova aldeia, as condições seriam desmesuradamente melhores, porque a EDIA tinha de satisfazer todos os pedidos da Aldeia da Luz. E a escola que seria nova, iria ter menos alunos, porque os que estavam no 4º Ano iriam para Mourão e porque o Alentejo continuava a desertificar-se como tem vindo nos últimos anos.
A dezena de crianças que frequentava a escola estava feliz. Estava perto de casa. Não tinha de fazer os oito quilómetros que as separava da vila mais próxima e com o "centro educativo" (palavra bonita para escola) mais perto.

O problema que se passava em 2001 continua a passar-se em 2010. A Ministra, educadamente, consegue justificar que as vias de comunicação estão melhores, mas gostava que tivesse tido a decência de perguntar às pessoas se estão na disposição de contribuir (elas próprias) para a desertificação do país e para o constante encerramento de escolas, limitando inclusivé a admissão de mais professores para leccionarem o seu trabalho.

O que é criminoso, para o sr. Sócrates, era manter as escolas abertas. Porque custam dinheiro. Os assessores também. E os tachos dos amigos para os cargos públicos também. E já agora, a frota automóvel dos ministérios que de dois em dois anos é renovada. Cortar onde é mais fácil eu também corto. Mas o futuro por si só, já está ameaçado.

Se querem tornar o interior na terra dos senhores de outrora, podiam já ter dito. Escusavam de nos ter dado este espectáculo degradante.