segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma Oportunidade Perdida

O PCP é actualmente a mais pequena força política no Parlamento. É também a única força política que apresenta um candidato próprio às Presidenciais.

E decidiu comentar a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo da seguinte forma: "Face a solicitações de vários órgãos de comunicação social sobre a atribuição do prémio Nobel da Paz deste ano, o PCP divulga o seguinte:
A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China - é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos."

Ou seja, o PCP acha que tem de dar satisfações só quando os órgãos de comunicação social solicitam. É uma medida errada. Deveria ser ele próprio a dizer o que pensa, antes de lhe perguntarem.
O PCP continua a achar que existem pressões económicas e políticas dos EUA à China, quando o Prémio Nobel é anunciado na Noruega.
E acha que é um golpe na credibilidade do Prémio, na mesma linha do anterior, em 2009. Se neste ponto, discordo da atribuição do Nobel a Obama, este ano discordo do PCP no timing, no modo e no discurso sobre alguém que está preso por exprimir a sua opinião.

Se são tão lestos a comentar as atrocidades em diferentes países, neste caso, deveriam ser um bom exemplo.

E é com exemplos destes que o PCP continua na sua rota própria de auto-destruição.

sábado, 9 de outubro de 2010

Há 70 Anos, nascia um dos grandes

Por falar em medalhas a 7600 Euros



Castelo de Alter do Chão, Alto Alentejo, Portugal

A República que nos é deixada

Não tive tempo para comentar o que quer que fosse relacionado com a República. Nem o discurso de um amorfo Presidente da República, nem o discurso de um Primeiro-Ministro a prazo e cansado, nem sequer o espectáculo de meia-hora que a Comissão liderada por um banqueiro arranjou para entreter o séquito de deputados, deputadas, ex-Presidentes, Presidentes de Câmara e todos os outros títulos remanescentes, para além do habitual "povo" que gosta de espiolhar tudo e todos.

O que me permite escrever, e atendendo a tudo o que foi dito e escrito por ocasião do dia 5 é que na III República que atravessamos, o país continua a ter analfabetos (Como tinha em 1910), as diferenças entre litoral e interior continuam a agravar-se (como eram em 1910) e a esperança de uma vida condigna é uma incógnita (como era em 1910).

Cem anos depois, tudo parece continuar na mesma e sem sentido de evolução. Sem sentido prático de continuidade e de mudança. O que olhamos para uma República de 100 anos é ditadura, PREC's e sanções. De positivo, só conseguimos olhar para uma bola e para o nosso triste Fado, já que nem Fátima ou outra força exterior nos ajuda...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Austeridade (III)

Austeridade (II)

Passos Coelho e o seu bando de acólitos já podem respirar de alívio.
A birra que fizeram, juntamente com o Governo, já deu os seus proveitos e assim, estão abertas as negociações novamente para encerrar esta guerrinha que alimentou televisões, rádios e afins e para darem o tão esperado empurrão do Orçamento de Estado para o próximo ano.

Vemos isto como uma inevitabilidade. O povo português continua a subjugar-se de uma maneira inquieta e perde, ao mesmo tempo, a paciência e a esperança nos políticos deste país. De certa forma, é bem feito. Desde que ao fim do mês, a prestação da casa, do carro, do telemóvel e das condições necessárias (água, luz e gás) estivessem pagas, haveria de restar algo para o resto do mês e caso fosse possível, ia-se ao crédito, de preferência com a Cofidis e com juros a 50%.

Agora, temos todos (segundo o Governo) de apertar o cinto. O mesmo Governo que deixou andar a situação, que a prolongou, na esperança de ver um raio de luz proveniente do Salvador, que não apareceu.

As birras que se fazem neste momento têm um objectivo: Maio. É lá que se vão disputar as eleições legislativas. Sim, será em 2011 e não em 2013. Com o beneplácito de um dos mais incompetentes e inquietos Presidente da República, o PSD abster-se-á no próximo Orçamento de Estado com a missão de, quando Cavaco for Presidente novamente (que o será), mandará Sócrates para a rua num abrir e fechar de olhos.

A Austeridade continuará assim a ser perpetuada nas mãos de PS, PSD e CDS. Os mesmos, que em 36 anos nada aprenderam no que a desenvolver um país diz respeito. Poderão falar em auto-estradas, em novas vias de comunicação, mais TV's por casa, mais carros por casa, aumento do PIB per capita, etc, mas em termos práticos, em que é que Portugal se desenvolveu, sem ser nos Europeus e Mundiais de Futebol?

Hoje, o PSD já falou de mansinho. Já parecia um cordeiro, quando algumas das opções apresentadas por Sócrates e Santos tinham implícitas os favores aos de sempre: os privados. Para a preservação do chamado "Estado Social", corta-se no Estado. Mais um bocado e parecia que estava em Cuba.

Pedem à oposição que dê alternativas para se cortar na despesa pública, mas supostamente o Ministro das Finanças está lá para isso. Pedem ajuda aos outros, mas supostamente são eles (o Governo) que tem sempre razão. Pedem, pedem, mas não dão nada. Só tiram.

E assim a cadeira gira uma vez mais na direcção errada. Na direcção do PSD, que tão maus exemplos tem dado a este país completamente à deriva...

Austeridade

Sr.Engenheiro da Puta que o Pariu (posso-me dirigir a si nestes modos, porque estou no meu blog e porque me sinto revoltado!):

- Austeridade é vossa excelência dizer que os deputados eleitos pelo povo só podem ser deputados e não terem outra profissão. São bem pagos para essa função.

- Austeridade é vossa excelência dizer que os Bancos, com os lucros escandalosos que têm em ano de crise económica (???) devem pagar 40% de IRC. Serve perfeitamente para as teorias de juros.

- Austeridade é vossa excelência desenvolver uma rede de transportes que possa fazer com que as pessoas não gastem mais de duas horas diárias de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

- Austeridade é vossa excelência chamar uma coisa de mobilidade da função pública e exercê-la efectivamente, com a extinção dos vários institutos e direcções-gerais que pululam no nosso país e que são o poiso dos mais diversos incompetentes que grassam em termos de gestão pública

- Austeridade é não premiar administradores públicos onde as suas instituições dão prejuízo.

- Austeridade não é aumentar em mais 2% o IVA. Porque aumenta os preços, diminui o consumo. Aumenta a receita, na perspectiva de ter de se comprar para não morrer...

- Austeridade não é acabar com o abono de família e com o rendimento social de inserção. É efectuar uma política fiscal eficaz para saber onde e quem escapa aos impostos

- Austeridade é vossa excelência não querer comparar Portugal com Espanha e Alemanha. Primeiro, porque somos muito mais pequenos do que qualquer um dos países acima citados e porque não produzimos metade da riqueza dos mesmos

Por isso, sr. Primeiro-Ministro, a sua lábia já é muito conhecida aqui por estas bandas. Só tenho pena que não haja uma verdadeira luta armada, nem que seja só para criar uns valentes "cagaços" a uns quantos, onde vossa excelência está naturalmente incluída. Mas mesmo não havendo uma luta armada, o senhor disse hoje que não tinha nada a temer. Eu também acho que é bom o senhor não ter nada a temer. Fôssemos outro povo e talvez outra moda piasse.

Além disso, quero também agradecer a vossa excelência que a minha filha, que deverá nascer ainda este ano, estará à espera de tempos bem piores que estes. Posso agradecer a si e à corja que esteve antes de si, e que em vez de olhar para o comum, olhou para o individual. E na medida em que me for possível, o meu primeiro incentivo à minha filha é que escolha outro país para ela própria poder sobreviver. Porque é de sobrevivência que se fala...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010


Santuário de Fátima, Fátima, Portugal

Coisas Extraordinárias

O Estado não tem um comprador para o BPN
Foi mais um dos brilhantes negócios que este Estado, o tal que se preocupa com o Estado Social, fez. Depois da rábula dos 20 mil milhões de euros disponíveis para os bancos, não consegue reduzir a sua dívida, nem consegue vender um banco que quis privatizar para safar alguns...

Os presentes envenenados
Passos Coelho continua a sua cruzada rumo ao poder e acusou o Governo de lhe dar presentes envenenados, como o aumento dos impostos. O Governo, como se estando a cagar para o que anda a fazer, veio denunciar os acordos secretos, que de secretos não tinham nada. Com os presentes ficam os de sempre...

"Só está na Polícia quem não tem mais que fazer"
Esta era a frase da notícia no Público (edição impressa) sobre a manifestação da Polícia no Terreiro do Paço. E é uma verdade inquestionável. A Polícia ou a GNR, são, hoje em dia, o reservatório dos excluídos da sociedade, e por isso, a conduta dos mesmos não muda, não evolui, apesar dos cargos. É uma característica tipicamente nossa, que visa o protagonismo em vez da utilidade. E com isso, a autoridade perde-se e a anarquia instala-se...

Crise para alguns
Também no Público há uma referência a ex-comissários que escaparam às medidas de austeridade. Segundo a notícia, há comissários a receberem "actualmente subsídios de reintegração que variam entre 40 e 65 por cento (dependendo do número de anos em Bruxelas) do seu salário de base, que ascende a 20.300 euros por mês (fora despesas de residência e representação) ou 22.500 para os vice-presidentes". São considerados subsídios que se destinam a “facilitar a reinserção no mercado de trabalho” dos ex-comissários e a “manter a sua independência”, de modo a evitar eventuais conflitos de interesses com os anteriores pelouros. Realmente, faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço!

Cuba e o Estado
Fidel Castro admitiu que o modelo falhou. Já se sabia há um tempo. É agora tempo de aproveitar o que de bom foi feito e continuar a fazê-lo. E é de bom tom aproveitar o que é feito de bom noutros lados e fazer também. É com convergência de diferentes pontos de vista que se atinge a qualidade. Quisessem os portugueses o mesmo e talvez fôssemos um país bem melhor...