domingo, 28 de março de 2010
As vítimas
O Padre Lino Maia é o Presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e responsável pela Oficina de São José, no Porto.
Quando confrontado pela pergunta do DN aos casos de abuso sexual na Oficina de São José, responde desta forma: " Cabe aos tribunais investigar os abusos".
Ou seja, o responsável pela Oficina de São José, local onde decorreram os abusos, diz que são os tribunais que devem investigar os abusos. Responsabilidade para ele não existe.
É assim em Portugal. E é assim em instituições. A culpa nunca é de ninguém. Há-de haver algum tribunal que resolva por aqueles que não querem resolver. E por isso, casos como o da Casa Pia arrastam-se. E deixam as vítimas viverem com o ónus da culpa por mais tempo do que aquele que merecem...
Quando confrontado pela pergunta do DN aos casos de abuso sexual na Oficina de São José, responde desta forma: " Cabe aos tribunais investigar os abusos".
Ou seja, o responsável pela Oficina de São José, local onde decorreram os abusos, diz que são os tribunais que devem investigar os abusos. Responsabilidade para ele não existe.
É assim em Portugal. E é assim em instituições. A culpa nunca é de ninguém. Há-de haver algum tribunal que resolva por aqueles que não querem resolver. E por isso, casos como o da Casa Pia arrastam-se. E deixam as vítimas viverem com o ónus da culpa por mais tempo do que aquele que merecem...
Uma questão de pressões
No Diário Económico, Francisco Louçã diz que não fará campanha ao lado de Sócrates. Veremos se o PS apoia Alegre ou se a Louçã lhe cai a máscara.
Entretanto, o DE optou por fazer uma nota de editor na mesma página da entrevista a Louçã e que se rege assim: "Francisco Louçã decidiu pressionar o DE na sua página do Facebook. De forma inqualificável, mas que o classifica como pessoa, acusa o jornal e os seus jornalistas de não publicarem uma entrevista porque o DE é da Ongoing e é "tradicionalmente simpático para o Governo". A publicação, hoje, da entrevista a Loução não resulta da pressão do líder do BE, resulta, como sempre, da avaliação editorial do jornal. Francisco Louçã preferiu pressionar o jornal no Facebook a perguntar à direcção do jornal porque é que a entrevista não tinha sido publicada. Emq uase 20 anos de jornalismo, nunca tal me tinha sucedido. Para quem gosta de encher a boca com a pressão sobre os jornais, fica aqui um exemplo de como essas pressões se fazem."
Várias coisas a reter:
- Percebe-se bem a estratégia de Loução. Quanto mais aparecer nos media, menos as pessoas têm de se preocupar com a ideologia do BE
- Percebe-se a situação do DE e do seu editor, quando confrontado com a "simpatia pelo Governo"...
- Percebe-se que em 20 anos, o editor não tenha sido pressionado pelo Facebook. O Facebook tem três anos...
- Percebe-se que em termos de pressões, elas existem e sempre existiram e não é por haver uma nota de editor, que vai mudar o que não se pode mudar...
Entretanto, o DE optou por fazer uma nota de editor na mesma página da entrevista a Louçã e que se rege assim: "Francisco Louçã decidiu pressionar o DE na sua página do Facebook. De forma inqualificável, mas que o classifica como pessoa, acusa o jornal e os seus jornalistas de não publicarem uma entrevista porque o DE é da Ongoing e é "tradicionalmente simpático para o Governo". A publicação, hoje, da entrevista a Loução não resulta da pressão do líder do BE, resulta, como sempre, da avaliação editorial do jornal. Francisco Louçã preferiu pressionar o jornal no Facebook a perguntar à direcção do jornal porque é que a entrevista não tinha sido publicada. Emq uase 20 anos de jornalismo, nunca tal me tinha sucedido. Para quem gosta de encher a boca com a pressão sobre os jornais, fica aqui um exemplo de como essas pressões se fazem."
Várias coisas a reter:
- Percebe-se bem a estratégia de Loução. Quanto mais aparecer nos media, menos as pessoas têm de se preocupar com a ideologia do BE
- Percebe-se a situação do DE e do seu editor, quando confrontado com a "simpatia pelo Governo"...
- Percebe-se que em 20 anos, o editor não tenha sido pressionado pelo Facebook. O Facebook tem três anos...
- Percebe-se que em termos de pressões, elas existem e sempre existiram e não é por haver uma nota de editor, que vai mudar o que não se pode mudar...
Ecos do Fim-de-Semana
No Correio da Manhã, Emidío Rangel diz que o principal inimigo do PSD é o CDS, ilibando assim a conquista de Passos Coelho, justificando que quando o PSD está em alta, quem mais perde é o CDS. Se dúvidas houvessem sobre o seu apoio incondicionável a Sócrates, a crónica de ontem serve para desmestificar certas tendências...
No mesmo jornal, Constâncio diz que os bancos sofreram menos que as populações com a crise. Isso já não havia dúvida, mas ouvir de uma pessoa que em Portugal, para regular o que quer que fosse foi o que se viu e ganhou como prémio uma ida para Bruxelas, o mínimo que se poderia fazer era mandá-lo para casa imediatamente. A vergonha já não faz sentido para Vitor Constâncio...
No Público, Portugal bateu o recorde europeu na abertura de shoppings em 2009, relativamente ao resto da Europa. Não há dúvidas quanto ao gosto duvidoso dos portugueses em se refugiarem nos locais mais inóspitos, só para darem nas vistas...
Mário Lino é, entretanto o nome proposto para chairman da Cimpor. A vergonha continua a ser uma palavra à parte no léxico de quem nos governa...
A Gripe A custou 42 milhões de Euros ao Estado. Agora que a gripe se eclipsou, segundo as palavras de Francisco George, para que serviu a paranóia colectiva dos últimos meses de 2009?
No DN, a Câmara de Beja estava com medo da aprovação do orçamento camarário. A CDU absteve-se e assim, os meninos do PS e do PSD podem governar durante este ano à vontade. Tomara outras mentes pensarem o mesmo...
Por fim, uma boa notícia. O grupo A Naifa vai voltar-se a reunir este ano. É bom para a música portuguesa e para a memória de João Aguardela...
No mesmo jornal, Constâncio diz que os bancos sofreram menos que as populações com a crise. Isso já não havia dúvida, mas ouvir de uma pessoa que em Portugal, para regular o que quer que fosse foi o que se viu e ganhou como prémio uma ida para Bruxelas, o mínimo que se poderia fazer era mandá-lo para casa imediatamente. A vergonha já não faz sentido para Vitor Constâncio...
No Público, Portugal bateu o recorde europeu na abertura de shoppings em 2009, relativamente ao resto da Europa. Não há dúvidas quanto ao gosto duvidoso dos portugueses em se refugiarem nos locais mais inóspitos, só para darem nas vistas...
Mário Lino é, entretanto o nome proposto para chairman da Cimpor. A vergonha continua a ser uma palavra à parte no léxico de quem nos governa...
A Gripe A custou 42 milhões de Euros ao Estado. Agora que a gripe se eclipsou, segundo as palavras de Francisco George, para que serviu a paranóia colectiva dos últimos meses de 2009?
No DN, a Câmara de Beja estava com medo da aprovação do orçamento camarário. A CDU absteve-se e assim, os meninos do PS e do PSD podem governar durante este ano à vontade. Tomara outras mentes pensarem o mesmo...
Por fim, uma boa notícia. O grupo A Naifa vai voltar-se a reunir este ano. É bom para a música portuguesa e para a memória de João Aguardela...
sábado, 27 de março de 2010
Descobrir as diferenças
Pedro Passos Coelho é o novo Presidente do PSD. Com uma vitória esmagadora, Passos Coelho tem à partida, uma missão difícil: Fazer de vez as pazes com Alberto João Jardim e não repetir o mesmo episódio caricato que fez em Mafra, para que possa de vez ter o partido todo com ele.
Para mim, Passos Coelho é uma versão fotocopiada de José Sócrates, só que do lado laranja. Em nada engana o que aí vem. O tipo de discurso, a maneira de vestir, os assessores sempre atrás. O mesmo cuidado com a imagem que o Primeiro-Ministro tem e que lhe tem dado resultado.
Seja em que aspecto for, Passos Coelho, a ser PM, será uma versão igual a Sócrates, mas com ainda maiores tendências de direita. E é esse o risco que corremos. O de continuarmos no marasmo colectivo que nos tem invadido nos últimos tempos.
Nunca teve tanto sentido falar-se em Bloco Central como agora. Preparemo-nos para a guerra mediática (apenas isso e nada mais) entre duas pessoas. Quem fica a ganhar são as TV's...
Para mim, Passos Coelho é uma versão fotocopiada de José Sócrates, só que do lado laranja. Em nada engana o que aí vem. O tipo de discurso, a maneira de vestir, os assessores sempre atrás. O mesmo cuidado com a imagem que o Primeiro-Ministro tem e que lhe tem dado resultado.
Seja em que aspecto for, Passos Coelho, a ser PM, será uma versão igual a Sócrates, mas com ainda maiores tendências de direita. E é esse o risco que corremos. O de continuarmos no marasmo colectivo que nos tem invadido nos últimos tempos.
Nunca teve tanto sentido falar-se em Bloco Central como agora. Preparemo-nos para a guerra mediática (apenas isso e nada mais) entre duas pessoas. Quem fica a ganhar são as TV's...
segunda-feira, 15 de março de 2010
Quintas Sociais em Arouca
Ainda não consegui colocar a peça que passou na SIC, mas aqui vai o importante:
"O projecto das quintas sociais foi apresentado pela Câmara de Arouca há um ano com o objectivo de dar trabalho a quem estava no desemprego, através da exploração de campos abandonados. Contudo, e para espanto da autarquia, ninguém se mostrou interessado.
A ideia do projecto das quintas sociais, apresentado pela Câmara de Arouca, era simples: convencer os proprietários de quintas que se encontravam ao abandono a permitir que esses terrenos fossem explorados por quem estava no desemprego.
Mas, um ano depois da iniciativa ser posta em prática e para espanto da autarquia, ninguém se mostrou interessado e de nada valeu a campanha que passou na rádio local.
O autarca Artur Neves explicou à TSF que não há entusiasmo por parte dos mais carenciados, «ninguém se mostra interessado».
Ainda assim, a Câmara de Arouca não desiste deste projecto e vai reformulá-lo. Uma das ideias que Artur Neves defende é que quem não aderir perca o que recebe do Estado."
O básico é que como o Rendimento Mínimo Garantido é tão bom, a par do Subsídio de Desemprego, as pessoas preferem ficar em casa, do que a trabalhar.
Os defensores da causa "subsidiriana" que depois venham falar deste e daquele caso, que eu sei bem para onde os mandar...
"O projecto das quintas sociais foi apresentado pela Câmara de Arouca há um ano com o objectivo de dar trabalho a quem estava no desemprego, através da exploração de campos abandonados. Contudo, e para espanto da autarquia, ninguém se mostrou interessado.
A ideia do projecto das quintas sociais, apresentado pela Câmara de Arouca, era simples: convencer os proprietários de quintas que se encontravam ao abandono a permitir que esses terrenos fossem explorados por quem estava no desemprego.
Mas, um ano depois da iniciativa ser posta em prática e para espanto da autarquia, ninguém se mostrou interessado e de nada valeu a campanha que passou na rádio local.
O autarca Artur Neves explicou à TSF que não há entusiasmo por parte dos mais carenciados, «ninguém se mostra interessado».
Ainda assim, a Câmara de Arouca não desiste deste projecto e vai reformulá-lo. Uma das ideias que Artur Neves defende é que quem não aderir perca o que recebe do Estado."
O básico é que como o Rendimento Mínimo Garantido é tão bom, a par do Subsídio de Desemprego, as pessoas preferem ficar em casa, do que a trabalhar.
Os defensores da causa "subsidiriana" que depois venham falar deste e daquele caso, que eu sei bem para onde os mandar...
Os fogachos e as fogueiras
Acabou o Congresso do PSD. Acabou o maior tempo de antena que as candidaturas tiveram para apresentar os seus argumentos.
Uma coisa é certa: Seja qual for o Presidente, vamos ter um PSD mais à direita, com mais vontade de privatizar que o Sócrates, com mais vontade de seguir o percurso do dr. Cavaco e com mais vontade de criar anti-corpos em todo o lado.
Seja Coelho, Rangel ou Aguiar Branco, o PSD estará entregue àqueles que emergem e vociferam reaccionariamente, sempre na esperança de terem que colher votos em quem mais necessita na altura, para depois os abandonar à mercê das circunstâncias.
O resultado de tanta indefinição é o facto de nas sondagens, Sócrates continuar a ter plenos poderes para fazer o que bem entender.
O problema é que os diferentes quadrantes políticos não se entendem, e mesmo assim, continuam a falar como se nada fosse. O problema só terá efeitos quando isto for vendido a Espanha.
Aí, todos acordarão e talvez seja tarde demais...
Uma coisa é certa: Seja qual for o Presidente, vamos ter um PSD mais à direita, com mais vontade de privatizar que o Sócrates, com mais vontade de seguir o percurso do dr. Cavaco e com mais vontade de criar anti-corpos em todo o lado.
Seja Coelho, Rangel ou Aguiar Branco, o PSD estará entregue àqueles que emergem e vociferam reaccionariamente, sempre na esperança de terem que colher votos em quem mais necessita na altura, para depois os abandonar à mercê das circunstâncias.
O resultado de tanta indefinição é o facto de nas sondagens, Sócrates continuar a ter plenos poderes para fazer o que bem entender.
O problema é que os diferentes quadrantes políticos não se entendem, e mesmo assim, continuam a falar como se nada fosse. O problema só terá efeitos quando isto for vendido a Espanha.
Aí, todos acordarão e talvez seja tarde demais...
quarta-feira, 10 de março de 2010
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