quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Diário de Bordo

7 da manhã na Gare do Oriente. Gente para apanhar o Alfa Pendular que parará no Porto, porque esses infâmes dos sindicalistas não querem que o comboio chegue a Braga. Tempos estes em que os maquinistas (esses mesmos que conduzem os comboios) não querem ser só eles a pagar a crise.
Plataforma cheia de pessoas que esperam pelo comboio. Muitos estereótipos. Muitos casacos. Muitos fatos. Muitos vestidos. Por mim, umas calças de ganga da Cheyenne (que entretanto, já decretou falência, deixando mais uns quantos no Centro de Desemprego do distrito de Braga e um empresário com o seu Porsche), um pólo azul e uns sapatos com uns 5 anos comprados na Often (que também já encerrou).
Por imperativos do trabalho, foi-me dada a possibilidade de ir na classe Conforto (pomposo nome dado à vulgar 1ª classe, mas que em nada difere da classe Turística, vulgar 2ª classe sem ser na oferta de jornais e de café). De resto, é igual. Cadeiras iguais, disposição dos lugares iguais. Só muda o status e o quo.
Primeira impressão é que quem tem um portátil deve ir com ele em cima da mesa para mostrar que se vai em negócios. Depois é necessário ter um exemplar do Diário Económico ou do Jornal de Negócios, para passar a ideia de que se está actualizado com a mais recente informação económica. E é preciso também ir de fato e gravata. Lamento, mas não possuo a maioria dos requisitos. E o que é que eu faço na classe Conforto? Experimento.

Experimento e não gosto. Não gosto destas manias de se ser mais do que é. Das aparências que fazem com que nós tenhamos de ser isto ou aquilo. De sermos mais importantes do que aquilo que somos. Cada qual na sua importância. Cada qual com o seu modo de ser e de estar, porque o mais importante é mesmo sermos nós próprios e não aquilo que outros querem que nós sejamos. Eu dou-me bem assim: sem aparências, sem falsos pudores ou mordomias.

Para a próxima vez já sei: Classe Turística. Já vi que a diferença não compensa, mesmo tendo alguém a pagar-me a viagem.

P.S. E também há gente que ressona na Classe Conforto. Diferenças?

domingo, 19 de dezembro de 2010

O melhor elogio..

Que se pode fazer a Carlos Pinto Coelho, é que quando o "Acontece" acabou, para mim, acabou a 2 como veículo PÚBLICO de divulgação cultural. Um serviço público que deveria ser feito todos os dias...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Justifica-se?

A cimeira da Nato que se realiza em Lisboa é uma prova evidente de que estamos numa posição demasiado fragilizada no que à segurança diz respeito.

Uma semana para não deixar entrar gente suspeita, para prender anarquistas que se manifestam contra a polícia. Uma semana para patrulhar a zona ribeirinha de Lisboa, não vá haver nenhum talibã marítimo capaz do pior.

Justifica-se ter de se fechar demasiados acessos para que o Presidente dos EUA tenha descanso? Justifica-se que zonas da cidade sejam "evacuadas" durante dois dias para que uns senhores discutam qual a melhor maneira de regular o Mundo?

Eu creio que não. Creio que uma Cimeira da Nato, como outra qualquer cimeira requer uma organização concertada, mas não mais do que isso. Não é necessário privar as pessoas de terem acesso a zonas da cidade, sem que o bicho papão do terrorismo ande sempre presente na figura de um polícia.

Mais uma vez, marionetas de um sistema. Mais uma vez, reféns das nossas próprias limitações. Mais uma vez, Portugal...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Interpol no Campo Pequeno

BRMC na Aula Magna

Uma semaninha de música da boa

Na segunda, viagem à Aula Magna para ver Black Rebel Motorcycle Club, numa das salas mais propícias para concertos deste género.
A Aula Magna dá sempre aquela sensação de que temos de ver um concerto sossegado, como se estivéssemos a assistir a uma aula. Mas ao fim de uma hora, foi impossível conter o rock'n'roll dos BRMC, que em duas horas e dez deram um espectáculo digno de se ver. Muito rock, muita vontade de brilhar e um bom concerto para alegrar uma noite chuvosa.

Sexta-feira, Interpol no Campo Pequeno, onde claramente se vê que os Interpol são uma banda para estúdio. Para espaços ainda mais pequenos, mais intimistas. Mesmo assim, bom concerto de hora e meia onde foi visível que é uma banda que tem muitos seguidores em Portugal, apesar dos preços quase proibitivos (o mais barato era 30 Euros).

domingo, 31 de outubro de 2010

Se houve acordo no OE...

Porque é que o PSD se vai abster?

Momentos marcantes

Na passada sexta-feira, passavam poucos minutos depois das 20h30, quando estava concentrado numa tarefa ao computador. À minha frente, estavam 20 televisores a dar diferentes canais, onde todos os dias, tenho de ter alguma atenção. Naquela sexta-feira, algo me puxou a ver a Sport TV e o jogo do Benfica. Foi no preciso momento em que Pablo Aimar pega na bola e faz isto:


A beleza do movimento, a condução da bola, a simulação de corpo e o remate colocado fizeram daquele momento em que me lembrei de olhar para a televisão como que se fosse um chamamento para ver o que o de melhor o futebol pode oferecer, de preferência nos pés de Pablo Aimar, ele que nessa semana tinha decidido dar os parabéns ao melhor jogador de futebol que vi jogar: Diego Maradona.

E continuando com o futebol, o convidado de Mário Crespo no Jornal das 9 era António Lobo Antunes. Na passagem para o Frente-a-Frente, tive de o ir buscar a estúdio, e enquanto autografava um dos seus livros, perguntou-me como tinha corrido a "conversa" com o seu amigo Mário. Eu, humildemente disse-lhe (perdoando a ofensa) que tinha preferido ficar a ver o "nosso" Benfica em deterimento da sua conversa. Imediatamente me disse: "Então não há problema. Mas estamos a ganhar, não estamos?"

O futebol tem disto. Distintas pessoas, distintas personalidades, feitios, complexos, alegrias e tristezas têm sempre um denominador comum que as afasta e une em torno de um simples objecto redondo. E quando falamos do Benfica, há logo algo que nos transfigura como se de uma obrigação se tratasse.

O resto do caminho entre o estúdio e a maquilhagem foi feito a discutir Roberto, o próximo jogo com o FC Porto e a capacidade da equipa em responder ao ambiente. A conversa, os livros, a morte, a vida e tudo o resto ficará para uma próxima oportunidade. O importante, na altura, foi termos discutido o que realmente interessa, e ali, naquele espaço de tempo, a importância tinha uma cor e um símbolo associados.